Uma obra intemporal do escritor britânico, Lewis Carroll, onde a imaginação e a distopia materializam-se, desafiando Alice, uma jovem rapariga, a procurar respostas para as dúvidas que a perturbam. Uma luta partilhada com o leitor/espetador, em que os conceitos da consciência do TEMPO, a noção do REAL e do FICCIONADO e a ideia do CERTO e ERRADO, são colocados à prova.
Este espetáculo teve como responsáveis Maria João da Rocha Afonso pela tradução e adaptação do texto original de Lewis Carroll, encenação de Marco Medeiros, com assistência de Rebeca Duarte e direção musical e composição de Artur Guimarães, com assistência de Carlos Meireles.
O SONHO materializou-se em frente dos nossos olhos! Todas as áreas do espetáculo uniram-se e trabalharam com a precisão de um relógio suíço, entregando algo fantástico aos espetadores.
O trabalho de cenografia, de Ângela Rocha, com a idealização dos diferentes momentos e espaços – um mais surreal que o outro –, acompanhados com os igualmente surpreendentes figurinos, de Rafaela Mapril, o desenho de luz, de Marco Medeiros, e o desenho de som, de Sérgio Milhano. Em suma, quatro elementos que trabalharam em perfeita harmonia.
Já em relação à componente interpretativa, igualmente sem palavras, tanto pelo jogo entre intérpretes, como a vertente musical. Uma simbiose magistral que culminou numa ondulação de sensações – componente adjacente e premente à obra.
Para terminar o meu comentário, parabenizo TODOS os elementos que participaram direta ou indiretamente ao espetáculo. Certamente, um contributo fundamental para ter a qualidade que tem.
Simplesmente, um dos nomes mais aclamados da história literária de Portugal. Luís Vaz de Camões, o grande poeta do século XVI, autor da obra-prima, “Os Lusíadas” (creio que não necessito de ampliar a apresentação desta personagem, nem da sua obra).
No ano em que se celebra o 5º centenário do seu nascimento, todo o país festeja e evoca o seu nome, ou as palavras que registou. A companhia AGON, especialista no cruzamento disciplinar entre teatro, dança e canto, integra as celebrações com a criação de um espetáculo de teatro musical, em que explora o percurso de vida atribulado do poeta. Alguns pontos marcantes são a sua excitante e intensa vida amorosa, profecias tenebrosas, viagens pelo desconhecido e o seu fado muito inconstante.
O espetáculo teve como responsável pela criação textual e encenação, Filipe Gouveia. A componente de consultoria histórica e literária deu-se com o auxílio de Maria Antonieta Costa. Já a direção musical esteve sob responsabilidade de Carlos Meireles e a direção vocal por Sara Maia.
Já conhecia o trabalho desta companhia desde a produção “Livrai-nos da Peste!” (também de autoria textual e de encenação de Filipe Gouveia), da qual saí bastante satisfeito com o resultado apresentado. Esta produção igualmente satisfez-me. Um trabalho bastante bem conseguido, com um grande dinamismo entre cenas e uma alta capacidade de captação da atenção do público. Um ótimo equilíbrio entre as três disciplinas artísticas, que se traduziu em algo fluido e nada saturante.
Destaco o trabalho da idealização de cenografia de Rita Cruz, desde a grandiosa fonte do sangue de Inês de Castro, à simples, mas acertada, escolha e manipulação das ondas do mar traiçoeiro, além do jogo de alturas com as diferentes plataformas.
Bárbara Rey, responsável pelo desenho e a operação de luz, criou um ambiente bastante intenso que ajudou imensamente na imersão do público com as cenas.
De resto, tenho a dizer que gostei dos distintos jogos interpretativos, desde as estátuas da estrutura familiar que ganhavam vida, passando pelo misticismo das Parcas e o trabalho corporal na navegação e na batalha final.