A distinção entre o sonho consciente vs. inconsciente, a confrontação entre o real e o ficcionado, a dualidade entre o desejo e a perda e a sensação oposta entre a luta e a inércia.
Sob orientação de Vicente Baptista, os elementos do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), procuraram afirmar, a partir de um pensamento existencialista, o poder dos seus corpos, ações, pensamentos e memórias, tanto para um estado pessoal, como comunitário. Quais são os sonhos/pesadelos que enfrentamos de olhos fechados? E de olhos abertos? Qual a nossa reação diante de tal estímulo?
Como referido anteriormente, a encenação esteve sob o olhar de Vicente Baptista, a partir de uma criação textual coletiva.
Este espetáculo foi apresentado em contexto do MTU’25 - Mostra de Teatro Universitário, uma festival cultural dedicado à arte teatral, numa colaboração entre o TAGV (Teatro Académico Gil Vicente) e a Universidade de Coimbra (grupos de teatro universitários).
Uma apresentação com imagens interessantes, com destaque para os jogos de sombras nos corpos dos intérpretes. O foco no trabalho interpretativo, com vasta exploração corporal, apresentando várias construções e desconstruções, incrementou positivamente o projeto. A escolha da construção textual a partir de vários monólogos é legítima, mas não deixa de ser uma “faca de dois gumes”, no sentido que, o público já espera a sequência da ação (sucessão de monólogos), o que quebra a fantasia da viagem cénica.
Apesar da apresentação contar com pensamentos interessantes, acredito que a cena final já tornava o espetáculo demasiado longo, ao mesmo tempo que não percebo a necessidade do encenador (Vicente Baptista) romper a parede entre o público e a cena para ler o texto final. Achei desnecessário.
Por fim, quero comentar a importância da boa condição das salas de espetáculo. A sala onde foi apresentada a obra, não tinha ar condicionado, o que transformou a blackbox, não muito grande, com mais de sessenta pessoas, a aquecerem durante 1h20, mais ou menos, um verdadeiro inferno! Tal sensação fez com que grande parte do público, a certa altura, não prestasse atenção ao que acontecia em palco, mas sim à má disposição causada pelo calor em excesso.
Para os conhecedores da mitologia grega, o nome “Helena” remonta para DESEJO e GUERRA. Fator principal para a causa da famosa guerra de dez anos entre gregos e troianos (guerra da qual surge a também famosa história do “cavalo de Troia”).
Eurípides, um dos grandes tragediógrafos da Grécia Antiga, apresenta a sua versão do Mito de Helena, a partir de uma outra versão pouco conhecida do mesmo. A Associação Cultural Thíasos, estrutura cultural associada à Universidade de Coimbra, trabalha com a intenção de reviver estas obras da dramaturgia clássica, possibilitando que as novas gerações tenham o conhecimento da sua existência no formato para que foram idealizadas, ao invés de somente uma abordagem teórica académica.
Este espetáculo foi apresentado em contexto do MTU’25 - Mostra de Teatro Universitário, uma festival cultural dedicado à arte teatral, numa colaboração entre o TAGV (Teatro Académico Gil Vicente) e a Universidade de Coimbra (grupos de teatro universitários).
Esta produção teve como responsável pela encenação, Isabel de Rohan, tradução de Alessandra Cristina Jonas Neves Oliveira e assistência de adaptação de Lucas Silva.
Um espetáculo criado por artistas amadores, mas que não deixou de ter pontos por elogiar, nem criticar.
Gostei da energia dos intérpretes em palco, como também de algumas imagens criadas ao longo das cenas, como por exemplo os jogos de fumo que incrementavam as imagens criadas pelos corpos em cena, principalmente do Coro.
Já quanto ao que poderia melhorar, acredito que uma visão mais atenta por parte da encenação quanto à sobreposição de ações em simultâneo poderia ser aprimorada, com destaque para a cena do barco atrás e a narração da história à frente. Sei que encenar e interpretar em simultâneo é complicado, contudo é algo fazível, caso contrário, a delegação de tarefas seria uma boa opção. Outro ponto, foi o complexo e duvidoso jogo de luzes. Acredito que a contínua mudança de cores à medida que os intérpretes se deslocavam em cena, não acrescentou nada.
No ano em que a ATEF - Companhia de Teatro celebra o seu 50º aniversário, a seleção deste texto do dramaturgo italiano Eduardo de Filippo, acarreta a mensagem da companhia para com a importância da Arte, com destaque para o teatro, na sociedade madeirense e no restante mundo.
Mesmo a história se passando no século passado, esta tragicomédia realça a perceção generalizada que vigora de ano para ano, década para década, século por século, da função teatral como ferramenta pública, aos olhos dos cidadãos, como dos seus governantes. Repleta de críticas e de questões que colocam o público na posição de “juízes observadores”, fomentados ao pensamento crítico daquilo que está a ser debatido.
Como já referido, o texto original é de Eduardo de Filippo e a sua dramaturgia e encenação estiveram sob o olhar de Eduardo Luíz - um espetáculo de Eduardo’s.
No seu geral, estimei o espetáculo. A incorporação de momentos cantados, acompanhados por músicos/atores, a seleção de um jovem para o papel do “novo presidente da Câmara”, alguns jogos de cena, com destaque para os executados pelo presidente da Câmara e o seu assistente, a figura do casal rupestre, foram alguns dos elementos que mais me captaram a atenção ao longo da apresentação.
Pessoalmente, fiquei desconfortável em alguns momentos onde a “fúria do ator” era desbloqueada e os gritos começavam a sobressair, o que dificultava a compreensão da cena por parte do espetador. Quanto à estrutura de apresentação, acredito que a continuidade das duas partes da peça dariam um outro ritmo à apresentação. Por outras palavras, não achei necessário o intervalo. Se o problema é a duração de 2 horas, creio que, graças ao dinamismo das cenas, o foco dificilmente seria dispersado. A meu ver, uma outra solução para tal seria a continuação da peça sem intervalo, mas sem a primeira parte introdutória. Confesso que não me apercebi de nenhum elemento fundamental para a sua intocabilidade.