O Amor e as suas diferentes formas de ação e compreensão. Através da história sombria e de amor de um casal de jovens, Brian Friel, autor da obra, critica os costumes e preconceitos da sociedade conservadora da sua época, além do confronto dos amantes com essa mesma realidade.
‘Amantes Vitoriosos’ é uma das duas peças que pertencem à obra, ‘Amantes’ (‘Amantes Vitoriosos’ e ‘Amantes Perdedores’).
A apresentação teve como responsável pela tradução, Orlando Vitorino e a encenação esteve ao comando de Élvio Camacho e Paula Erra. Uma concretização bastante interessante, com destaque para a componente de cenografia, de responsabilidade de Ana Limpinho e Maria João Castelo, pela repartição dos elementos mencionados em texto por todo o espaço de cena e a interessante construção do barco, mais o trabalho corporal por parte dos intérpretes Filipe Gouveia e Sofia Nóbrega.
O ponto que me criou um certo desconforto, não diretamente ligado às opções cénicas, foi o facto de o recinto de apresentação ser tão pequeno e próximo (ponto que até certa medida é algo benéfico e enriquecedor da ligação entre cena-público), os momentos mais frenéticos tornavam-se incomodativos pela intensificação dos volumes vocais.
A Marionet, uma companhia de teatro dedicada ao cruzamento das artes performativas e a ciência, não poderia deixar de fora do seu catálogo de projetos a apresentação da primeira peça teatral em que um cientista moderno é a personagem central.
Escrita no século XII - afinal, não é assim tão "moderno" -, pelo poeta e dramaturgo britânico, Thomas Shadwell, a peça é uma clássica comédia de amores e enganos. O que a diferencia das outras é a perspetiva de Shadwell - e da sociedade britânica da época - para com os “Senhores da Ciência” e os seus métodos de investigação. É de destacar que o dramaturgo está a satirizar os primórdios da 'Royal Society', simplesmente, no nosso tempo, uma das mais prestigiadas sociedades científicas do mundo. Um começo atribulado que com o passar dos anos demonstrou o seu real “virtuosismo” - coloco a palavra entre aspas para a contrastar com o sentido irónico atribuído pelo autor ao longo da peça.
Este espetáculo teve como responsável pela tradução, adaptação e encenação, Mário Montenegro.
Apesar de ser um texto antigo, conserva caraterísticas e críticas intemporais. Mesmo com a longa duração do espetáculo, não senti que fosse algo massudo. Em certos momentos das explicações científicas é que sentia uma maior queda no ritmo do espetáculo, mas era algo contrastado com as dinâmicas fervilhantes das cenas dos amantes. Destaco a transição para o intervalo, como uma opção bastante interessante.
Em quase todos os espetáculos que já assisti da Marionet, a utilização de projeção é algo recorrente. De responsabilidade de Pedro Andrade, incrementam a cena e dá contexto, apesar de abstrato, ao que se passa na ação. Contudo, questiono-me até que ponto a opção da projeção permanente não faz com que o público desvie o seu foco do enredo. Digo isto, porque, pessoalmente, em certos momentos, desviava a atenção para com a estranheza - até que agradável - das projeções, perdendo assim alguns momentos do conflito, ou de explicações.
Destaco o trabalho de sonoplastia de Marcelo dos Reis e a sua aplicação nos tempos exatos, quase que contados ao milésimo.
Uma obra impactante, crua, crítica e que nos faz rir da nossa própria precariedade. O dramaturgo britânico, Martim Crimp, ironicamente, intitula a sua obra de “Na República da Felicidade”, mas esta última palavra, “felicidade”, é algo muito escasso na peça. Possivelmente, a meu ver, podemos associar a “felicidade” à perceção do funcionamento das engrenagens da vida, ou seja, como funciona o mundo que nos rodeia. Com palavras pouco cordiais, incisivas e duras, propõe um jogo cénico fora do tradicional, dividido em três atos, nos quais expõe a dureza, a precariedade, os defeitos e as utopias da nossa sociedade ocidental, num nudismo, por vezes cómico, mas arrebatador.
Esta produção teve como responsável pela tradução e dramaturgia, Isabel Lopes, a composição musical ficou a cargo de Carlos Alberto Augusto e a encenação a mando de Fernando Mora Ramos.
Foi a minha primeira interação com o trabalho de Martin Crimp. Achei interessante a composição da sua obra, a divisão da mesma em três formatos bastante diferentes uns dos outros (narrativo, jogo coral e absurdo) e a incorporação dos momentos de cantares brechtianos.
Reconheço o trabalho investigativo e compreendo a tomada de certas opções, contudo, pessoalmente, considero o terceiro ato algo prescindível. Pelo o que pude perceber, a obra tem como referência estruturante, “A Divina Comédia”, de Dante, com os planos de Inferno, Purgatório e Paraíso. No entanto, o ato torna-se uma quebra muito abrupta no ritmo da peça, levando a que exista uma constante quebra de atenção por parte do público (algo também percetível pelo constante ruído produzido pelas cadeiras a se mexerem). Creio que os dois primeiros atos, apesar de serem bastante diferentes um do outro, existe algo que os liga, ou seja, complementam-se. Já o terceiro ato não traz nada de novo em comparação ao segundo. Não sei se numa outra formação estrutural poderia funcionar. Tanto o ato I e o II são bastante estimulantes, a nível de intenções, como de ritmo. No Ato III, o público já está com a cabeça em cansada de tantos "clicks" e a cena torna-se algo redundante.