Quatro jovens de famílias disfuncionais de uma região desprezada do noroeste de Inglaterra, onde prevalece a pobreza, violência, abuso e degredo, procuram formas de conseguirem sair dessa realidade. Uma família improvisada, em que o GRIME vibra pelos seus corpos, procuram vingar-se de todos aqueles que os colocaram naquela situação. Ao longo da batida, são confrontados com um muro sem fim à vista de todos os problemas do qual repudiam. Será que conseguiram deitá-lo abaixo? Ou, passarão a fazer parte desse muro?
Esta peça é baseada no romance de Sibylle Berg, “GRM - Brainfuck”, com tradução de Bruno C. Duarte, dramaturgia de Paulo Rêgo e encenação de Peter Kleinert.
Quero destacar o trabalho de cenografia de Céline Demars, que criou uma instalação impactante visualmente e que permite um leque de jogos de movimentações e interações. A composição musical de Chullage, uma conjugação de batidas e letras muito interessantes. A nível melódico, a conjugação das vozes femininas era algo celestial.
Quem é Antígona? O que representa? Será que Antígona realmente é a heroína da estória? Os segredos que esconde? Será que ela não vê as mensagens? Quem são ‘They’?
Estas são algumas das muitas perguntas apresentadas pelo Teatro Praga na sua mais recente produção. Uma interpretação da "Antígona", de Sófocles, à moda dos Praga - acho que não preciso dizer mais nada, pois não?
A criação teve como responsáveis André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes.
O que dizer deste espetáculo? Até ao momento em que escrevo este texto, continuo com a mente a mil a tentar processar o que assisti. Foram duas horas de pura estimulação visual, auditiva e intelectual. Senti uma satisfação extrema por estar ali a receber aquela dose de dopamina em formato de espetáculo teatral. Destaco o trabalho de cenografia de Tiago Alexandre. Uma composição bastante impactante.
Já tinha algum tempo que um espetáculo me sensibilizava de tal forma. Felicito a toda a equipa pelo trabalho bem conseguido. ‘They’ felicita!
Escutar, ver e sentir Shakespeare de um modo diferente. Este é o objetivo da companhia Teatro Art’ Imagem, em cooperação com o Teatro do Morcego. Adaptam e transformam dramaturgicamente estes textos clássicos da literatura dramática (“Hamlet” e “Macbeth”), apetrechados com o componente da coralidade, mais o trabalho da fisicalidade dos corpos.
Este projeto teve como responsável pela dramaturgia e encenação, José Abreu Fonseca.
Quero destacar meu apreço pelo trabalho de construção de cenário, levado a cabo por Guilherme Fonseca. Uma escadaria em formato piramidal com um pequeno lago no centro. Algo aparentemente simples, mas que permite uma possibilidade de jogos interpretativos e de movimentação incríveis. Para não falar no jogo de projeções que acrescenta um lado místico na obra.
Quanto à encenação, reconheço o trabalho complexo dos profissionais, contudo, não me acrescentou nada. Para além dos textos, naturalmente, terem uma complexidade na sua compreensão, a grande massa de palavras debitada pelos intérpretes não ajuda a nós - público - possamos reter e raciocinar aquilo que está a ser apresentado. Por sua, desconectamos com a cena e perdemos empatia com a obra.
Espetáculo que integrou as "Comemorações em Coimbra do Centenário de Amílcar Cabral", “Amílcar Geração” apresenta-nos a importância da figura de Amílcar Cabral como pilar da luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde e de outros tantos países da periferia que passavam pela mesma situação na segunda metade do século XX. Um símbolo gigantesco da história, exemplo a seguir de uma geração que, ano após ano, tem caído no esquecimento da população.
Além da componente documental, esta obra também é composta por memórias do próprio intérprete, Ângelo Torres. Reivindicar a luta pelo ensino e conservação da memória de Amílcar Cabral.
A peça teve como responsável pela sua idealização, encenação e interpretação, Ângelo Torres. Já pela dramaturgia, Guilherme Mendonça.
Reconheço que até assistir o espetáculo, o meu conhecimento sobre a personalidade de Amílcar Cabral era bastante escassa. Como muitos outros, apenas o nome me era familiar. Saí da apresentação já com alguma noção de quem foi e aquilo que representa e com vontade de investigar mais. Achei o ato I (do depoimento) extremamente interessante, passando de momentos descontraídos a momentos tensos, através de poucas palavras. Algo realmente atrativo. Apesar dos atos seguintes apresentarem uma componente histórica também interessante, não me cativaram a atenção da mesma forma. Acredito que a extensão do texto e a continuação do mesmo registo interpretativo sejam as causas desse meu “desligar” com a ação.
A bienal “Todos São Palco”, é projeto com produção do Teatrão, coprodução com várias outras entidades culturais da zona centro e norte do país e a curadoria de Jorge Louraço Figueira, que visa apresentar obras teatrais desenvolvidas no Brasil, com o intuito de promover a partilha de conteúdos e cultura entre os dois países.
Para inaugurar a mesma, foi apresentada aquela que é considerada uma das obras mais importantes do maior nome do teatro brasileiro, Augusto Boal. "Revolução na América do Sul", conta-nos a história de José da Silva, trabalhador fabril com graves dificuldades económicas, que no seu percursos para conseguir solucionar a sua situação, é confrontado de forma ironizada e "cartoonizada" com os problemas estruturais políticos e sociais presentes no Brasil. Problemas que, numa certa parte, são transversais com os de Portugal.
O responsável pela encenação desta obra foi Wellington Fagner.
Como dizia o “pai do teatro português”, “ridendo castigat mores” (rindo castiga os costumes). Utilizar a comédia e a estereotipização como método educacional é algo de génio. Algo que já se poderia esperar do mestre Augusto Boal. Uma espetáculo bastante dinâmico, crítico, com um trabalho interpretativo excecional, uma composição musical muito boa, que culminaram num resultado que só poderia dar, como deu, numa reação satisfatória na grande maioria do público (digo "grande maioria", porque não sei o pensamento de todos os que lá estavam). Pessoalmente, acredito que foi uma apresentação memorável e transformadora.