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Diário de um Espetador

Um espaço dedicado ao comentário dos mais diversos espetáculos e eventos culturais, com destaque para as apresentações teatrais.

Diário de um Espetador

Um espaço dedicado ao comentário dos mais diversos espetáculos e eventos culturais, com destaque para as apresentações teatrais.

“Apaga o Candil”, por Contraproducións (ES).

Sendo o primeiro espetáculo que assisto em terras galegas, optei por ver o trabalho de um artista que já conhecia de terras portuguesas, o de Cándido Pazó. Conhecido pelo seu grande leque de textos e encenações premiados, carateriza-se por ter uma forte ligação com a cultura galega e as suas tradições.

“Apaga o Candil” é uma homenagem ao grande humorista e dinamizador da cultura tradicional galega dos anos 60 a 70, Carlos Díaz, “O Xestal”, que expõem a sua biografia repleta de altos e baixos.

Este espetáculo teve Cándido Pazó como responsável pelo texto e encenação.

Considero este género de iniciativas a melhor opção para educar o público quanto à etnografia de uma região. Como leigo em relação à cultura galega, mas interessado em conhecer mais, acredito que esta peça foi extremamente enriquecedora. Repleta de contos tradicionais, referências musicais e exposição de momentos históricos importantes, numa mistura entre cómico e o reflexivo, é um espetáculo que carrega muito da identidade galega. Uma produção bem construída, com uma composição cénica de poucos elementos, mas bastantes eficazes e um trabalho por parte dos intérpretes muito bom.

“Quema del Meco” e “Entierro del Meco”, celebrações do ENTROIDO 2024, em Vigo, Galiza, Espanha.

Como agora ficarei algum tempo por terras galegas, não poderia deixar passar os momentos festivos da comunidade sem descobrir como se celebra o ENTROIDO (CARNAVAL), em Vigo.
 
Apesar de não ser o concelho mais forte das celebrações na Galiza (dito pelos próprios residentes), fui investigar o que fazem por cá. Infelizmente, não consegui acompanhar a programação completa, mas ainda assim, consegui assistir à “Quema del Meco” e participar no “Entierro del Meco”.
 
A “Quema del Meco” acontece no terça-feira de Carnaval e nada mais é do que, como o próprio nome indica, a queima de um boneco. Num modelo de recriação dos julgamentos da Inquisição espanhola, são expostos dois bonecos, sendo um deles uma homenagem a algo, ou alguém, positivo para a sociedade galega e o outro a crítica de algo, ou alguém, negativo para os galegos. Após a apresentação das caraterísticas de ambos, os “chefes inquisidores” perguntam ao público se se deve ou não queimar o boneco (como se a resposta já não fosse evidente). De repente, numa praça lotada, só conseguimos escutar, “LUME! LUME!”. Após o decreto final, o boneco condenado é eliminado através de explosões de pirotecnia. Um momento bastante interessante, que caraterizo como “à Grande e à Galega!”.
 
Com a desintegração do boneco, os “servidores da Inquisição”, coletam as cinzas do mesmo e colocam-nas num baú para que no dia seguinte (quarta-feira) aconteça o “Entierro del Meco”.
 
No Entierro, as pessoas disfarçam-se e participam no cortejo fúnebre “daquele que mandaram queimar”. Vestidas de negro e com outros adereços carnavalescos, um “mar de gente” acompanha a procissão a “chorar” pelo defunto, enquanto fazem “macacadas”.
 
Como não podia faltar à festa, experimentei participar no cortejo e digo que foi uma experiência espetacular!
São tradições divertidas que, a meu ver, devem manter-se no espírito dos habitantes de Vigo. Definitivamente, uma experiência que ficará bem guardada na minha memória.
 
Acredito que poderia melhorar se, na zona onde se dá a maioria do evento, existissem barracas de comes e bebes, por exemplo, de iguarias tradicionais galegas, para concentrar as pessoas no recinto e prolongar os festejos e a animação.
 

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“La Sociedad de la Nieve”, por Juan Antonio Bayona.

O primeiro comentário de 2024. Este novo ano começou com uma grande mudança na minha vida. Estou em Vigo, na Galiza, Espanha, pelo programa ERASMUS+, em continuação dos meus estudos teatrais. Apesar de ter chegado a meados de janeiro, ainda estou em fase de adaptação e, infelizmente, não tenho conseguido assistir a tantos espetáculos ou eventos culturais como gostaria. Creio que a partir de agora terei mais oportunidade de conhecer o que de bom Espanha tem para oferecer a nível cultural.

Como cá estou, nada melhor do que assistir a um dos filmes espanhóis mais comentado do momento, “La Sociedade de la Nieve”. Vencedor de várias categorias nos “Premios Goya”, entre elas a de melhor filme e a de melhor realização, sendo também indicado para os Óscars, na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro”, entre outras distinções.

Esta produção recria uma das histórias mais marcantes para a sociedade uruguaia. A queda do avião da Fuerza Aérea Uruguaya que transportava uma equipa de rugby de Montevideo (Uruguai) até Santiago (Chile) na Cordilheira dos Andes. Apesar de terem sobrevivido algumas pessoas, muitas outras perderam a sua vida naquele “inferno de neve”. O filme explora as fortes emoções e confrontos psicológicos dos passageiros e a exposição das suas escolhas numa tentativa de sobrevivência.

Esta produção teve como responsáveis Juan Antonio Bayona, pela realização, e Bernat Vilaplana, Juan Antonio Bayona, Jaime Marques-Olarreaga, Nicolás Casariego pelo guião. A produção esteve a cabo da Netflix e da Misión de Audaces Films.

Para uma melhor experiência assisti a este filme numa sala de cinema. Considero que esta opção intensificou imensamente a minha receção do conteúdo. Realmente, um trabalho, a nível geral, muito bom. Destaco, o guião e a prestação dos intérpretes. Colocou-nos (espectadores), numa posição emotiva e ao mesmo tempo de questionamento. Se estivéssemos na mesma situação, tomaríamos as mesmas decisões? Que ações tomaria pela minha sobrevivência?

Tive a oportunidade de assistir a este filme com uma colega uruguaia que teve a amabilidade de me responder a questões específicas da comunidade uruguaia que desconhecia por completo. Nesta troca de impressões, foi possível perceber a atenção aos detalhes levada a cabo pelo executivo.

A meu ver, esta produção merece todos os louvores que está a receber. Um trabalho muito bom!

Volto a destacar a fantástica imersão que tive na sala de cinema e aconselho a quem tiver oportunidade de assistir da mesma forma, a fazê-lo, pois não se irá arrepender.

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