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Diário de um Espetador

Um espaço dedicado ao comentário dos mais diversos espetáculos e eventos culturais, com destaque para as apresentações teatrais.

Diário de um Espetador

Um espaço dedicado ao comentário dos mais diversos espetáculos e eventos culturais, com destaque para as apresentações teatrais.

“RESPIRAR (doze vezes)”, por teatromosca, Teatro Art’Imagem e La Tête Noire - La Compagnie.

Todos nós temos medos, é algo natural. Com o passar dos anos, uns vão desaparecendo e sendo substituídos por outros. Marie Suel, autora do texto, apresenta esta ideia pela perspectiva de uma menina, no início do seu percurso, e a de um velho, com um percurso já bastante trilhado. A diferença de medos é gigantesca, mas o que os une é o método de compreensão e superação dos mesmos.

Quem é que nunca ouviu o conselho para respirar bem fundo quando está com medo de alguma coisa?

Este projeto contou, como referido anteriormente, com texto de Marie Suel, a sua tradução por Margarida Madeira e a encenação de Patrice Douchet.

A última produção que assisti do teatromosca (“Ilha de Morel”), deixou-me extremamente frustrado.

Nesta segunda oportunidade, admito que sai mais satisfeito. Com a parceria destas três companhias (duas portuguesas e uma francesa) é criado um espetáculo que aborda um tema muito interessante, num mundo cénico extremamente requintado, cheio de pormenores. Contudo, não concordo com certas opções, tais como, a de manter uma parte do texto em francês (compreendo o propósito, mas são várias partes importantes do texto que ficam perdidas em cena), a outra, é a de seleção da faixa etária. Volto a frisar que, apesar de contar com um tema importante a ser discutido com essa faixa etária, a construção do espetáculo não estava na mesma linha.

“Engolir Sapos”, por Amarelo Silvestre.

Relação de pai e filha. Adolescente mulher vs. Adulto homem. A compreensão entre ambos é algo que é construído com o tempo. O mais interessante, é que o crescimento não acontece só num dos lados, é algo recíproco. A transmissão dos conhecimentos de justiça e a análise e reconsideração de estereótipos já interiorizados.

Sabiam que existe uma crença de colocar sapos de louça na entrada de casas ou do estabelecimentos comerciais para afastar a comunidade cigana?

Eu não conhecia, mas ao que parece, ainda existem muitas pessoas que mantêm esta crença viva.

Este espetáculo teve como responsável pela encenação Rafaela Santos e pela dramaturgia Fernando Giestas.

Um trabalho que resulta eficazmente, tanto para crianças como para adultos. A abertura de um espaço de diálogo para compreender “o outro” e o repensar de algumas questões e atitudes que resultam na justiça social. Uma construção cénica simbólica que passa uma mensagem potente (o muro).

“«Magnético», de Abel Neves”, por CENDREV.

Mais uma das belas estória do dramaturgo português que deixa qualquer cabelo em pé!

Dois casais se perdem, durante a noite, no meio de uma serra, ambos por problemas associados aos seus automóveis. Estes, deparam-se num local, aparentemente, abandonado, sem rede telefónica, dominado por dois irmãos que ali vivem isolados, com os seus próprios métodos de sobrevivência. Com o passar do tempo, os medos chegam à flor da pele e a compreensão “do outro”, torna-se um fator essencial.

O que faria numa situação destas?

Este projeto contou com Abel Neves como responsável pelo texto e pela direção, com assistência de Rui Nuno.

Um texto com momentos cómicos, ainda assim, mantendo um clima de tensão e desconfiança do início ao fim do espetáculo. Um espaço cénico com um cenário composto (a moradia dos irmãos), atento aos mínimos detalhes (destaco o movimento constante do candeeiro de rua, simulando o vento).

A lição que retiro desta peça é que da próxima vez que passar por uma serra de noite, terei mais atenção às condições do carro em que estou.

“Todas as coisas extraordinárias”, por Mente de Cão.

Com suporte na peça “Every Brilliant Thing” de Duncan Macmillan, a companhia Mente de Cão cria um espetáculo interativo, em modo “contador de histórias”, que aborda os temas da depressão e suicídio.

Qual foi a nossa primeira experiência com a morte?

A história expõe-nos a perspetiva de uma rapariga de 7 anos que, com uma mãe com sintomas de depressão, arranja como “fuga” a criação de uma lista com tudo aquilo que acha extraordinário no mundo que a rodeia. Após várias reviravoltas ao longo do seu percurso, já adulta, continua a acrescentar pontos à sua lista.

Para este projeto, Jaime Mears e Joana Pupo estiveram como responsáveis pela dramaturgia e encenação. O espetáculo que assisti contou com Joana Pupo como intérprete (existe uma outra versão, em inglês, com Jaime Mears como intérprete).

É de salientar que este espetáculo conta com o ”Selo de Qualidade do Programa Nacional para a Saúde Mental”, atribuído pela DGS.

Uma apresentação muito envolvente. A sua construção interativa transforma o público em intervenientes fundamentais para o desenvolvimento do que está a ser contado. Considero a abordagem dos temas bastante elucidativa. Um trabalho muito bem conseguido!

Destaco que, após a apresentação, foi criado um momento de conversa com dois especialistas convidados da área da Saúde Mental. Um espaço de partilha muito acolhedor e educativo.

“A nossa vida”, por Colectivo 84.

No 2º episódio do projeto «Episódios da vida Selvagem», é-nos apresentada a estória de uma reunião numa cidade-estado, que discute o modo de solucionar o problema de falta de água que está a abalar toda a sua comunidade. Perante duas propostas de salvação, o debate foca na análise de qual delas terá menos impacto negativo na sua população (ambas acatarem riscos graves contra as vidas humanas). O tempo está a contar e a impaciência é cada vez maior.

Esta peça teve como responsável pelo texto e encenação, Mickaël de Oliveira.

Um espetáculo cativante que apresenta personagens com diferentes pontos de vista e reações provocantes perante o tema abordado. Apesar de ficção, é tentador o paralelismo com a situação política mundial. Quanto à encenação, existiram certas opções que me suscitaram muitas dúvidas (são nestes casos que uma conversa após o espetáculo com a equipa seriam imensamente esclarecedora).

Qual o peso das nossas decisões?

“Com 3 Novelos”, por A Bolha - Teatro com Marionetas.

A partir do livro infantil, de mesmo nome, da escritora Henriqueta Cristina, é-nos apresentada a história, baseada em factos reais, de uma menina que, com a sua família, foge do regime ditatorial do Estado Novo. Uma memória com lã suficiente para tricotar inúmeras camisolas de malha.

Este projeto contou com criação de Ana Mota Ferreira (manipulação) e Manel Bilro (composição musical).

Uma construção cénica envolvente e esmerada. Cheia de maquinarias e segredos que deixavam pequenos e graúdos espantados. Gostei do modo como utilizaram e manipularam os fios em cena. A história contada possibilita leituras diferentes, tanto para miúdos, como para os adultos. Ou seja, um texto para todas as idades.

Destaco que na sessão em que estive, o público foi presenteado com a presença da autora do texto que, no fim, teve algum tempo para explicar melhor a sua obra.

“«Antigonick», de Anne Carson”, por Teatro da Rainha.

Todos aqueles que estudam ou admiram a arte dramática, em algum momento dos seus percursos, já se deparam com a peça “Antígona”, de Sófocles (ou até mesmo, só ouviram o título). Um dos grandes clássicos da dramaturgia mundial. Apesar deste texto já ter sido revivido inúmeras vezes ao longo dos anos, a companhia Teatro da Rainha, quis apresentar a sua interpretação, com base, não da tradução direta de Sófocles, mas sim da tradução e adaptação da escritora inglesa, Anne Carson.

Como se costuma dizer, “leituras diferentes, levam a pensamentos diferentes”, e por sua vez a, ”encenações diferentes”.

Esta produção contou com a tradução de Isabel Lopes e encenação de Fernando Mora Ramos.

Uma visão cativante desta obra. Ao mesmo tempo que permanece o enredo original, são incorporados elementos que suscitam muitas dúvidas, mas daquelas que surgem por aquilo que é dito ou mostrado (das positivas).

Destaco a iniciativa final da criação de um fórum de discussão para a explicação de dúvidas do porquê dos elementos apresentados e as suas funções. Algo bastante importante, não só para um melhor esclarecimento da peça, mas também como método educativo para aqueles que procuram estudar a vertente de encenação.

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