A Marionet, conhecida por cruzar Teatro e Ciência, homenageia Carl Djerassi, químico farmacêutico, romancista e dramaturgo austríaco, um dos responsáveis pela criação de um comprimido oral que revolucionou o século passado, a pílula. Tema central deste espetáculo, este medicamento possibilitou às mulheres obterem um maior controlo dos seus corpos. No entanto, como diz o povo, “nem tudo são rosas”, sendo causador de inúmeros efeitos secundários indesejados.
Qual a sua função? Como é utilizada? É bem vista na sociedade? Que consequências acarreta?
Outros temas discutidos nesta produção, são a inseminação artificial, o aborto e os direitos da mulher. De que forma uma família contemporânea lida com estes assuntos?
O texto e a encenação desta produção estiveram sobre coordenação de Mário Montenegro.
Um espetáculo intimista, profundo e capaz de criar um curioso espaço de reflexão. Tive a estranha e singular sensação de que os interpretes eram gladiadores no centro da arena e nós os espetadores daquela luta sangrenta, suscitando as mais imprevisíveis reações por ambas as partes.
Destaco a criativa folha de sala composta por vários textos relativos à produção, à companhia e ao homenageado. Imagens passadas em espetáculo também estão incluídas.
O Teatrão apresenta-nos a sua mais recente criação. Desta vez, tem como inspiração uma das peças mais emblemáticas de Bertold Brecht, «Mãe Coragem e os seus Filhos».
Tendo em conta aos terríveis conflitos, que sempre existiram, mas estão a ganhar cada vez mais mediatismo nos tempos atuais, este projeto tem como intenção expor ao público algumas das consequências que surgem ligadas as guerras. A partir da história de Ti Coragem, observamos a que nível o Ser Humano pode chegar, quando, em situação de necessidade, as forças da manipulação e aproveitamento do outro, para proveito próprio, estão em jogo. Como diz o povo, “quem não sabe vender, fecha a loja”, mas Ti Coragem sabe vender, e bem! Mal sabe ela que para conseguir alcançar os seus objetivos, terá de apostar bem caro...
A peça teve como responsável pela tradução António Sousa Ribeiro. Já a dramaturgia foi concebida por Jorge Louraço Figueira e Marco Antonio Rodrigues, com encenação de Marco Antonio Rodrigues.
Uma apresentação de três horas, que pessoalmente, passaram a correr! Uma construção cénica muito interessante. A exploração do cenário movível, os jogos de efeitos de luz e cor, os figurinos apetrechados, a composição musical fantástica e uma interpretação cativante dos intérpretes, culminaram no sucesso deste projeto.
Organizada anualmente pela Associação Académica de Coimbra (AAC), este evento celebra a receção dos novos estudantes ao ensino superior, em Coimbra. Contando com uma programação de vários dias, os mais aguardados pelos estudantes são os concertos que acontecem no recinto da Praça da Canção, à noite.
Como aluno em Coimbra, não poderia faltar pelo menos a um dia desta celebração. Neste caso, escolhi o quarto dia de concertos (dia 7). Existiram outros grupos a apresentar nesse dia, como a Estudantina Universitária de Coimbra e As Fans, no entanto, canalizei a minha atenção para os dois grupos “cabeças de cartaz”, Alcool Club e Ornatos Violeta.
Dois grupos de diferentes estilos musicais entre si, que partilhavam o meu desejo de os conseguir ver e ouvir ao vivo. Consegui realizar esta vontade e devo confessar que não desapontaram nem um pouco. Os sons de hip hop acompanhados por melodias influenciadas pelo jazz dos Alcool Club, substituídos pela energia e melodias fantásticas de rock alternativo dos Ornatos Violeta, fizeram daquela noite mágica.
“Stand-Up Comedy”, ou também designado por “Humor de Cara Limpa”, é um género de espetáculo cómico, geralmente executado por um único artista em palco. Uma espécie de monólogo que quebra constantemente com a “quarta parede”. Os seus textos podem ser construídos a partir dos temas mais simples aos mais complexos da nossa sociedade, sempre repletos de crítica social e muito humor.
Não é a primeira vez que assisto a um espetáculo deste género, mas do artista Dário Guerreiro foi certamente a primeiro. Destaco a minha admiração pelo trabalho deste artista. Gostei do jogo de palavras que utiliza para comentar os temas mais “quentes” do nosso dia a dia. A incorporação musical foi interessante. O ponto que menos gostei, foi a opção de utilização, um pouco excisava, da componente sexual para criação do momento “piada”. Acho que com um maior jogo linguístico chegaria ao mesmo fim.
A Companhia NAVIO, propõe-se a “contar uma história” relembrando os tempos áureos da época medieval. Contada em rima, a personagem BOBO, direciona-nos pela estrada ziguezagueante do enredo, utilizando o sua voz, corpo e manipulação de objetos.
“A brincar, se dizem as verdades”, já diz o povo. Ou o BOBO, neste caso…
A conceção textual esteve a cabo de Catarina Chora e Inês Sincero, com direção de Filipe Correia e Miguel Figueiredo e interpretação de Jaime Castelo-Branco.
Diverti-me imenso com esta peça. Um texto muito interessante com um trabalho clownesco por parte dos integrantes em cena muito bom. A utilização das músicas e a incorporação do público na cena foram incrementos especiais.
A partir do romance de Emilia Pardo Bazán, “La Tribuna”, em “Cigarreiras”, são nos contados testemunhos da crise política de 1868-1873, com a queda da Dinastia de Borboun, à proclamação da I República, em Espanha, pela perspetiva das trabalhadoras do tabaco de Coruña.
Quais foram as histórias destas mulheres? Que males sofreram com esta transição? De onde veio essa força para lutar?
Este espetáculo teve Cándido Pazó como responsável pela sua adaptação e encenação.
Foi possível assistir a este espetáculo, graças à Mostra de Teatro Galego de Coimbra, organizada pela A Escola da Noite e a Cena Lusófona.
Definitivamente, esta peça ficará marcada na minha memória durante muito, muito tempo. Um esforço incrível de toda a equipa. Cenário, luz, música, figurinos, adereços muito bem selecionados. Quero destacar o fantástico trabalho de todas as atrizes. Interpretações impecáveis com a “verdade” (como se diz no Teatro) a saltar-lhes pelo corpo fora. Uma energia poderosíssima!
Em sequência, integrando a Mostra de Teatro Galego de Coimbra, organizada pela Escola da Noite e a Cena Lusófona, «Arraianos» é uma peça colocada em palco pela companhia Sarabela Teatro, a partir de uma das obras mais importantes da literatura galega. Trata-se de uma adaptação da prosa original de Xosé Luís Méndez Ferrín, por Fernando Dacosta e Ánxeles Cuña Bóveda, com encenação de Ánxeles Cuña Bóveda.
(ARRAIANOS/AS – natural da fronteira ou vive perto da mesma)
Com base em histórias do sobrenatural, esta peça relata-nos dois momentos distintos que partilham a luta das personagens em conflitos mundanos, aliados à imposição de elementos espirituais traiçoeiros, num local onde nem a proteção divina tem efeito.
Quero realçar o trabalho muito bom dos intérpretes, mais especificamente nos momentos musicais (tanto cantados com a criação de ambiente) e nas movimentações e explorações corporais. Gostei imenso dos elementos plásticos.