Num mundo em que cada vez mais preocupamo-nos, unicamente, com o nosso próprio umbigo, por diversas circunstâncias do meio que nos rodeia, surge a problemática da relação entre o Eu e o Outro.
Tendo por base este tópico, a companhia OITO – Oficina de Ideias das Terras do Oeste, no seu mais recente espetáculo, com criação textual de Luís Lobo Pimenta e Ricardo Brito e encenação de Ricardo Brito, utiliza o poder do Teatro, como auxiliador do debate e reflexão, atiçando os espetadores a quebrarem o seu estado passivo no que diz respeito à tomada de decisões. Qual o lado da balança em que estás?
Partindo de uma narrativa de relação Mãe-Filho, este trabalho performático procura através de símbolos poéticos desafear os espetadores a encontrarem significados neste quebra-cabeças.
Dúvida. Pergunta. Resposta.
Um espetáculo que me deu bastante gosto de ver. O clima intimista ali criado, foi uma estranheza satisfatória. Sinto que assistir uma só vez é pouco. Muitas questões ainda não encontraram a sua resposta.
O ato de “contar histórias” remonta dos tempos mais antigos da nossa civilização, chegando aos nossos dias por inúmeros formatos. Plínio Marcos, foi um dos grandes dramaturgos brasileiros, amante dessa arte. Este, diferencia-se dos demais por contá-las com a maior crueza possível, a partir de perceções e relatos reais de pessoas, que como ele, lutavam pela sobrevivência.
Este texto. em monólogo, explora a narração de um estradeiro, que como um saltimbanco, corre de cidade em cidade, apregoando as suas histórias e utilizado a sua inteligência a seu próprio proveito. Misturando momentos de culto, e a libertação dos desejos carnais, procura a sua capacidade de persuasão e metamorfose contra os donos de poder, os “homens prego”. Esta apresentação conta com a adaptação e encenação de José Caldas.
Um espetáculo elaborado com excelência. Gostei imenso do trabalho dos intérpretes (Allex Miranda, José Caldas e Juliana Roseiro), o cenário de elementos básicos, mas funcionais e chamativos (como se tratasse de uma apresentação de rua), a exploração do sentido “cheiro”, e o facto de terem optado pela exclusão de efeitos sonoros já gravados e ambientarem a cena com sons produzidos pelos intérpretes. Só tive pena que existirem algumas situações em que esses sons, sobreponham-se ao que era dito, fazendo com que não conseguisse compreender certas partes.
Um trabalho muito bem pensado, reconstruindo o que seria uma apresentação de rua, dentro de uma sala de espetáculos, cativando a minha atenção do início ao fim do espetáculo.